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Inovação pedagógica: como podem os estudantes assumir um papel mais ativo na transformação do Ensino Superior?

A inovação pedagógica no Ensino Superior exige mais do que a implementação de novas metodologias de ensino e aprendizagem. Implica reconhecer os estudantes como participantes ativos na construção da sua experiência académica e na melhoria contínua das práticas pedagógicas das instituições.

Nesta entrevista, o Daniel Aragão, Presidente da Comissão Executiva do FAIRe Portugal – Fórum Académico para a Informação e Representação Externa, apresenta a perspetiva dos estudantes sobre os principais desafios da inovação pedagógica no Ensino Superior.

Ao longo da entrevista, são abordadas questões relacionadas com o ensino centrado no estudante, a flexibilidade curricular, as metodologias de avaliação, a valorização da formação pedagógica dos docentes e a participação estudantil nos processos de decisão e garantia da qualidade.

Uma reflexão sobre a importância de promover um Ensino Superior mais próximo das necessidades e expectativas dos estudantes, no qual a sua participação não se limite à consulta, mas se traduza num contributo efetivo para a transformação das instituições.

1. Na perspetiva dos estudantes, o que signifi ca hoje falar de inovação pedagógica no Ensino Superior?

Significa assumir, na prática, o ensino centrado no estudante, compromisso que Portugal já assumiu no Processo de Bolonha. Inovar é ensinar com proximidade, para promover conhecimento e pensamento crítico, e não apenas para avaliar. Significa também percursos mais flexíveis, em que o estudante constrói parte do seu plano curricular, com espaço para a interdisciplinaridade e para a aprendizagem baseada em desafios. A inovação pedagógica não deve ser um projeto pontual, mas um processo contínuo de melhoria, no qual o estudante é agente decisor e não apenas beneficiário.

2. Que mudanças nas práticas de ensino e aprendizagem poderiam ter um impacto mais significativo na experiência académica dos estudantes?

Penso que o maior impacto virá de três mudanças: métodos de avaliação alinhados com os resultados de aprendizagem e com função formativa, mais metodologias ativas e baseadas em desafios reais, e maior flexibilidade curricular. A estas junta-se a valorização da formação pedagógica e da atividade de ensino do corpo docente, porque nenhuma inovação se sustenta sem docentes reconhecidos e apoiados para a concretizar.

3. De que forma os estudantes podem ter uma participação mais ativa na definição e melhoria das práticas pedagógicas das instituições?

Integrando os estudantes nos sistemas internos de gestão da qualidade, com um ciclo contínuo de feedback que gera resultados tangíveis e comunicáveis, isto é, em que os estudantes sabem o que mudou em resultado da sua opinião. Portugal tem uma participação estudantil consolidada na avaliação e acreditação externas da A3ES, mas ainda falha no envolvimento interno, que as Normas e Diretrizes Europeias para a Garantia da Qualidade (ESG) exigem. Esse envolvimento não se pode limitar aos conselhos pedagógicos. Só assim os estudantes serão co-criadores do ensino superior e se criará uma verdadeira cultura de melhoria contínua.

4. Que desafios considera prioritários para tornar o Ensino Superior mais próximo das necessidades e expectativas dos estudantes?

O desafio central é o cumprimento efetivo dos direitos dos estudantes. A nível europeu e internacional, o reconhecimento desses direitos e do papel do estudante como parceiro de pleno direito está cada vez mais consolidado, e o Espaço Europeu do Ensino Superior assume-o há anos. O desafio é que isso se traduza, em Portugal, em direitos conhecidos, exigíveis e respeitados no dia a dia das instituições. Significa também garantir que os estudantes participam desde o início na construção do ensino superior, como co-criadores e construtores, e não apenas como beneficiários que são ouvidos no fim do processo. Um ensino superior próximo dos estudantes constrói-se com eles, e não apenas para eles.

Tema Vozes da Comunidade Académica

Última Atualização 6 de Novembro de 2026

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